CARAVANA PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA ALERTA PARA O ECOCÍDIO DO RIO TEJO PELOS NOVOS AÇUDES E BARRAGENS PROPOSTOS PELO PROJETO TEJO


NOTA DE IMPRENSA

14 de abril de 2022

“CARAVANA PELA JUSTIÇA CLIMÁTICA ALERTA PARA O ECOCÍDIO DO RIO TEJO PELOS NOVOS AÇUDES E BARRAGENS PROPOSTOS PELO PROJETO TEJO”

O Trilho Panorâmico de Vila Nova da Barquinha foi, ontem, dia 14 de abril, percorrido pela Caravana pela Justiça Climática com destino ao Parque Ribeirinho desta vila, onde se realizou uma ciranda (assembleia popular) com os temas “Projeto Tejo – o Ecocídio do Tejo pelas barragens” e “EcoParque do Relvão: Problema ou solução?” onde se refletiu sobre a importância de manter os últimos 120 km de rio Tejo livre dos novos 4 açudes e 2 barragens propostos pelo Projeto Tejo que representa um esbanjar de dinheiros públicos quando existem soluções de captação de água diretamente do rio Tejo sem mais barragens e muito mais económicas.

Concluiu-se que o Projeto Tejo pretende apenas alcançar a especulação imobiliária com a valorização dos terrenos agrícolas com impactos negativos nas regiões do Médio Tejo e Lezíria do Tejo quanto à atividade económica de turismo ecológico, rural e cultural, descaracterização do património cultural associado ao rio Tejo, como o Castelo de Almourol, as aldeias avieiras e os mouchões do rio Tejo, envolvidos por um rio que corre livremente, bem como diversos impactos ambientais negativos que se sabe que os açudes e barragens têm sobre a biodiversidade e os valores ecológicos, neste caso, do rio Tejo.

Apelou-se ainda a todos os cidadãos de Lisboa e da Área Metropolitana de Lisboa para protegerem a fauna e a flora do estuário do Tejo visto que os novos açudes e barragens irão destruir os equilíbrios dos ecossistemas do estuário do Tejo ao constituírem um obstáculo físico à passagem de nutrientes e substâncias químicas.

Com efeito, a retirada de enormes volumes de água para o regadio interromperá o ciclo ecológico da água não permitindo a passagem de água doce suficiente o que provoca alterações nas águas de transição (salobras) do estuário e nos ecossistemas que destas dependem.

Acresce ainda que o caudal passará a ser insuficiente para transportar os sedimentos em direção ao mar, impedindo que se depositem nas praias da orla costeira.

Além disso, o estuário do Tejo acumula uma acentuada poluição com origem em Espanha e que se agrava com as águas poluídas de afluentes do rio Tejo e acaba numa acentuada contaminação do estuário com a consequente proibição a apanha de bivalves na reserva Natural do Estuário do Tejo.

Lembrou-se ainda a necessidade de uma transição ecológica da agricultura para práticas agrícolas sustentáveis e os problemas relacionados com as monoculturas, sendo a agricultura convencional é responsável por importantes emissões de gases com efeito de estufa, poluição do ar, da água e dos solos, e a produção e aplicação de adubos de síntese a partir de gás fóssil representam níveis de emissões de gases com efeito de estufa e de poluição muito elevados.

O Tejo e a Vida merecem mais ação climática!

Bacia do Tejo, 14 de abril de 2022

Os Porta-Vozes do proTEJO,

Ana Silva e Paulo Constantino

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